Passear com o cachorro pode ter relação com a aposentadoria?

Pode, sim. Passear com o cachorro é só um exemplo de atividade do dia a dia que mostra como está a mobilidade, a independência e a participação de uma pessoa na vida diária. Na avaliação biopsicossocial da aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD), esse tipo de informação pode ajudar a contar a história, e tudo depende do caso.
Por que uma pergunta tão simples importa?
Pode parecer uma pergunta estranha, mas a resposta é sim.
Passear com o cachorro é apenas um exemplo de atividade cotidiana capaz de revelar informações importantes sobre mobilidade, independência e participação na vida diária.
Um exemplo do dia a dia
Imagine alguém que, durante anos, caminhava várias quadras todos os dias. Depois de uma lesão no joelho, passou a percorrer somente pequenas distâncias.
Outra pessoa continua fazendo o passeio, mas precisa parar algumas vezes, caminhar devagar ou evitar subidas.
Talvez nunca tenha pensado nisso como uma “limitação”. Apenas adaptou a rotina. É exatamente esse tipo de informação que pode aparecer na avaliação biopsicossocial.
O que o INSS avalia na aposentadoria PCD?
O INSS não avalia apenas se existe hérnia de disco, artrose, fibromialgia, uma lesão ortopédica, doença neurológica ou sequela de acidente. Também precisa compreender o impacto daquela condição na vida real.
Ajudam a formar esse retrato:
- caminhar;
- subir escadas;
- utilizar transporte;
- cuidar da casa;
- preparar uma refeição;
- vestir-se;
- trabalhar;
- relacionar-se com outras pessoas;
- participar da comunidade.
Conseguir fazer uma atividade é o mesmo que fazer sem dificuldade?
Não. Conseguir realizar uma atividade não significa necessariamente realizá-la sem dificuldade.
- Uma pessoa pode caminhar, mas percorrer uma distância menor.
- Pode trabalhar oito horas, mas precisar alternar posições.
- Pode dirigir, mas evitar viagens longas.
- Pode cuidar da casa, mas depender de outra pessoa para as tarefas mais pesadas.
O importante é explicar a realidade, sem exagerar e sem minimizar.
Por que saber há quanto tempo as limitações existem?
Também é necessário descobrir há quanto tempo essas limitações existem, porque o período trabalhado na condição de pessoa com deficiência pode interferir diretamente na aposentadoria.
Quantos anos de contribuição a aposentadoria PCD exige?
Por tempo de contribuição, sem idade mínima:
- mulher: 28 anos na deficiência leve, 24 na moderada e 20 na grave;
- homem: 33 anos na deficiência leve, 29 na moderada e 25 na grave.
Por idade: 55 anos de idade para a mulher e 60 anos de idade para o homem, com 15 anos de contribuição e comprovação da deficiência durante o período exigido.
Aposentadoria PCD é aposentadoria por incapacidade?
Não. Existe uma diferença essencial: aposentadoria PCD não é aposentadoria por incapacidade. A pessoa não precisa parar de trabalhar e pode continuar exercendo a profissão depois da concessão.
Perguntas frequentes
Passear com o cachorro realmente importa para a aposentadoria PCD? Como exemplo de atividade do dia a dia, pode importar. Ele ajuda a mostrar mobilidade, independência e participação na vida diária.
O INSS olha só o nome da doença? Não. Ele também precisa compreender o impacto da condição na vida real da pessoa.
Se eu consigo fazer a atividade, não tenho limitação? Não necessariamente. Conseguir realizar uma atividade não significa realizá-la sem dificuldade, e a diferença pode ser relevante.
Por que é importante saber desde quando as limitações existem? Porque o período trabalhado na condição de pessoa com deficiência pode interferir diretamente na aposentadoria.
Quem se aposenta como PCD precisa parar de trabalhar? Não. A aposentadoria PCD não é por incapacidade, e a pessoa pode continuar exercendo a profissão.
Uma mudança simples pode contar uma história longa
Às vezes, uma mudança tão simples quanto deixar de passear com o cachorro conta uma parte importante de uma história de limitações que começou muitos anos antes do pedido de aposentadoria.
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Este texto tem caráter informativo e não garante resultado. Cada situação precisa de análise individual.
Renata Brandão Canella, advogada. www.brandaocanella.adv.br



