Jogador de futebol profissional pode se aposentar antecipadamente pelo INSS e continuar trabalhando?

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Jogador de futebol em ação em campo
Foto: Pexels

Pode, dependendo do caso. Uma lesão sofrida dentro de campo, que deixa sequela permanente, pode ter importância previdenciária muito depois do último jogo. Dependendo da situação, o ex-atleta pode ter direito ao auxílio-acidente ou à aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD). Quem se aposenta como PCD pode continuar trabalhando.

Por que a lesão importa tanto depois do fim da carreira?

Uma carreira no futebol profissional pode terminar aos 30 ou 35 anos de idade. A vida profissional, porém, normalmente continua por décadas.

E uma lesão sofrida dentro de campo pode continuar tendo importância previdenciária muito depois do último jogo.

Ser jogador de futebol dá direito automático a algum benefício?

Não. Ser jogador, por si só, não garante direito automático a nenhum benefício. O que importa é a lesão, a sequela que ficou, a data em que tudo aconteceu e a situação do atleta perante o INSS naquele momento.

E durante a recuperação da lesão?

Enquanto o atleta está afastado para se recuperar, pode existir o benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), desde que os requisitos estejam presentes. É por isso que os afastamentos também contam a história.

O jogador é empregado ou contribuinte individual?

O primeiro cuidado é descobrir como aquele jogador estava vinculado à Previdência.

  • Há atletas profissionais com contrato de trabalho e registro como empregados.
  • Em outras modalidades e situações, o profissional pode prestar serviços como contribuinte individual.

Essa diferença é importante porque nem todas as categorias possuem exatamente os mesmos direitos previdenciários. No auxílio-acidente, isso é decisivo.

O jogador empregado pode receber auxílio-acidente?

Pode, se preencher os requisitos. O jogador empregado que sofre uma lesão e permanece com sequela definitiva que reduz sua capacidade para o trabalho habitual pode ter direito ao benefício, mesmo que tenha voltado a trabalhar.

E se a lesão aconteceu depois de sair do clube?

O acidente pode acontecer depois do encerramento do vínculo. Quem teve a carteira de trabalho baixada não perde necessariamente a qualidade de segurado no dia seguinte.

Existe o chamado período de graça, durante o qual a proteção previdenciária pode ser mantida sem novas contribuições. Esse período normalmente começa em 12 meses e, conforme o histórico contributivo e a situação de desemprego, pode ser prorrogado.

Imagine um ex-jogador que rompeu o ligamento do joelho meses depois de deixar um clube. Ele não deve concluir automaticamente que perdeu todos os direitos. É necessário verificar a data da última contribuição e a qualidade de segurado na data do acidente.

E o atleta que era contribuinte individual?

Para o atleta que atuava como contribuinte individual, a análise do auxílio-acidente é diferente, porque essa categoria não está entre as contempladas pelo benefício.

Mas uma sequela permanente também pode levar à análise da aposentadoria PCD.

Uma lesão antiga pode levar à aposentadoria PCD?

Pode ser analisada. Uma lesão grave no joelho, tornozelo, quadril, coluna ou ombro pode deixar um impedimento de longo prazo, mesmo quando o ex-atleta continua trabalhando em outra profissão.

Quantos anos de contribuição a aposentadoria PCD exige?

Na aposentadoria PCD por tempo de contribuição não existe idade mínima.

  • Mulheres: 28 anos na deficiência leve, 24 na moderada e 20 na grave.
  • Homens: 33 anos na deficiência leve, 29 na moderada e 25 na grave.

Por idade: 55 anos de idade para mulheres e 60 anos de idade para homens, com 15 anos de contribuição e deficiência pelo período exigido.

Aposentar como PCD significa estar inválido?

Não. Aposentar-se como PCD não significa estar inválido. O ex-jogador pode continuar trabalhando normalmente.

Quais documentos o ex-atleta deve guardar?

No futebol, não basta guardar os troféus. Estes documentos também podem ser importantes muitos anos depois:

  • contratos e registros profissionais;
  • CNIS;
  • prontuários;
  • exames;
  • cirurgias;
  • fisioterapia;
  • afastamentos e benefícios por incapacidade já recebidos.

Perguntas frequentes

Jogador de futebol profissional pode se aposentar antes de outros trabalhadores? Pode, dependendo do caso. Uma sequela permanente pode levar à análise da aposentadoria PCD, que por tempo de contribuição não tem idade mínima.

Quem se aposenta como PCD precisa parar de trabalhar? Não. Aposentar-se como PCD não significa estar inválido, e o ex-jogador pode continuar trabalhando normalmente.

Jogador que atuava como contribuinte individual recebe auxílio-acidente? Não. Essa categoria não está entre as contempladas pelo auxílio-acidente. A aposentadoria PCD, porém, pode ser analisada.

Quem foi demitido e se machucou meses depois perdeu o direito? Não necessariamente. Existe o período de graça, que mantém a proteção previdenciária sem novas contribuições. É preciso conferir as datas.

O que guardar da carreira para um pedido futuro? Contratos, registros profissionais, CNIS, prontuários, exames, cirurgias e fisioterapia.

Leia também: Lesão no futebol: direitos depois da carreira, Lesão no joelho no esporte ou no lazer, As sete coisas avaliadas na aposentadoria PCD e Atletas profissionais: direitos no INSS e na Justiça do Trabalho.

Veja também: Acidente a bordo e aposentadoria do marítimo e Subir escadas e carregar peso na aposentadoria PCD.

Este texto tem caráter informativo e não garante resultado. Cada situação precisa de análise individual.

Renata Brandão Canella, advogada. www.brandaocanella.adv.br

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