Uma lesão no futebol pode continuar gerando direitos depois que a carreira termina

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Jogador de futebol sentado no gramado cuidando da perna machucada
Foto: Pexels

Uma lesão sofrida quando o jogador ainda atuava profissionalmente pode ter importância previdenciária muitos anos depois. O atleta pendura as chuteiras, começa outra profissão e acha que tudo ficou para trás, mas a sequela pode seguir com ele.

Quais lesões do futebol deixam sequelas?

Joelhos, tornozelos, quadris e coluna estão entre as regiões mais exigidas. Rupturas de ligamentos, lesões de menisco, fraturas e cirurgias podem deixar sequelas mesmo depois do retorno aos jogos.

Voltar a jogar quer dizer que a lesão passou?

Não necessariamente. Voltar aos treinos e às partidas não significa recuperação completa. O jogador pode ter se aposentado do futebol anos depois e continuar com perda de mobilidade, dor, redução de força ou dificuldade para certos movimentos.

Que direitos podem ser analisados?

Duas análises previdenciárias podem importar.

O auxílio-acidente

É um benefício indenizatório. Pode ser devido quando, depois da consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, fica uma sequela definitiva que reduz a capacidade para o trabalho habitual, desde que os demais requisitos legais estejam presentes. Receber remuneração não impede o benefício por si só.

A aposentadoria da pessoa com deficiência (PCD)

Se a lesão produziu uma limitação de longo prazo, é preciso analisar como ela afetou a vida e o trabalho da pessoa nos anos seguintes.

Por tempo de contribuição, sem idade mínima:

  • mulher: 28 anos de contribuição na deficiência leve, 24 anos na moderada e 20 anos na grave;
  • homem: 33, 29 ou 25 anos de contribuição, respectivamente.

Por idade: 55 anos para a mulher e 60 anos para o homem, com pelo menos 15 anos de contribuição e deficiência durante igual período.

Nenhuma dessas aposentadorias é por incapacidade permanente. A pessoa pode continuar trabalhando depois de aposentada.

Por que os documentos da época da carreira importam?

Porque ajudam a reconstruir quando a sequela surgiu e como evoluiu. Guarde:

  • prontuários e exames;
  • registros de cirurgias;
  • fisioterapia;
  • afastamentos;
  • contratos;
  • registros do acidente.

Perguntas frequentes

Ex-jogador pode receber auxílio-acidente? Pode, quando há sequela definitiva que reduz a capacidade para o trabalho habitual e os requisitos legais estão presentes.

Quem voltou a jogar perde o direito? Não necessariamente. O retorno aos jogos não significa que a sequela desapareceu.

A lesão antiga pode ajudar na aposentadoria PCD? Pode, se tiver gerado uma limitação de longo prazo.

Preciso ter me aposentado do futebol? Não. A análise depende da sequela e da vida de trabalho da pessoa.

Que documentos antigos guardar? Prontuários, exames, cirurgias, fisioterapia, afastamentos, contratos e registros do acidente.

O último jogo não encerra tudo

O último jogo pode encerrar a carreira. Não necessariamente encerra os efeitos previdenciários de uma lesão sofrida naqueles anos. Guardar a documentação e analisar o caso é o primeiro passo.

Renata Brandão Canella, advogada previdenciarista.

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